Apoio a Gaza, crítica às tarifas e defesa do multilateralismo: confira discurso completo de Lula na ONU

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Apoio a Gaza, crítica às tarifas e defesa do multilateralismo: confira discurso completo de Lula na ONU
BBC News

Nesta terça-feira (23/9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu ao púlpito da Assembleia Geral da ONU pela décima vez.

Em seu discurso, o presidente brasileiro afirmou que o multilateralismo "está diante de nova encruzilhada" e que a autoridade das Nações Unidas está em xeque.

Lula defendeu maior participação dos países do sul global em questões internacionais, como a guerra da Ucrânica.

"A Iniciativa Africana e o Grupo de Amigos da Paz, criado por China e Brasil, podem contribuir para promover o diálogo", disse. "A voz do Sul Global deve ser ouvida."

Sobre conflitos globais, Lula afirmou que "nenhuma situação é mais emblemática do uso desproporcional e ilegal da força do que a da Palestina".

"Os atentados terroristas perpetrados pelo Hamas são indefensáveis sob qualquer ângulo. Mas nada, absolutamente nada, justifica o genocídio em curso em Gaza."

O presidente também falou sobre mudanças climáticas e COP30, que ocorre em novembro no Pará.

"Em Belém, o mundo vai conhecer a realidade da Amazônia", disse Lula. "Será o momento de os líderes mundiais provarem a seriedade de seu compromisso com o planeta."

"Nações em desenvolvimento enfrentam a mudança do clima ao mesmo tempo em que lutam contra outros desafios. Enquanto isso, países ricos usufruem de padrão de vida obtido às custas de duzentos anos de emissões."

Sem citar o governo de Donald Trump, que falou em seguida ao presidente brasileiro, Lula criticou "sanções arbitrárias" e "intervenções unilaterais".

No início de julho, Trump anunciou em suas redes sociais a taxação em 50% de produtos brasileiros, justificando para isso a suposta "caça às bruxas" a que Bolsonaro estaria sendo submetido na Justiça brasileira.

Cerca de 700 produtos acabaram depois isentos da taxação.

Também em julho, o governo Trump anunciou a abertura de uma investigação comercial contra o Brasil, mirando em vários assuntos, do Pix ao desmatamento.

Em seu discurso, o presidente brasileiro disse que a condenação de Jair Bolsonaro (PL) por golpe de Estado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) é um "recado aos candidatos a autocratas do mundo e àqueles que os apoiam".

"O Brasil deu um recado a todos os candidatos a autocratas e àqueles que os apoiam: nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis."

O presidente falou sobre o autoritarismo e a soberania. "O autoritarismo se fortalece quando nos omitimos frente à arbitrariedade", afirmou. "Seguiremos como nação independente e povo livre de qualquer tipo de tutelas."

Na segunda-feira (22/09), o Departamento de Estado americano anunciou que a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, seria punida pela Lei Magnitsky.

Moraes, relator da ação penal que condenou por golpe de Estado e outros crimes o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — alinhado ideologicamente a Trump —, já havia sido submetido à Magnitsky no fim do julho.

A aplicação dessa lei é umas das punições mais severas disponíveis contra estrangeiros considerados pelos EUA autores de graves violações de direitos humanos e práticas de corrupção.

Abaixo, confira a íntegra do discurso do presidente brasileiro.


FONTE: BBC News
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