Representantes dos EUA e da China podem ter chegado a um acordo em relação à operação do TikTok em território americano, afirmou o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent.
A reunião, realizada em Madri, na Espanha, foi encerrada nesta segunda-feira, 15, e foi anunciada por Donald Trump como um encontro de sucesso. O presidente americano deve conversar com Xi Jinping na próxima sexta-feira, 19, por telefone, sobre questões econômicas e sobre a situação do TikTok no país.
“A grande reunião comercial na Europa entre os Estados Unidos da América e a China correu MUITO BEM! Estará concluída em breve. Também foi alcançado um acordo sobre uma “certa” empresa que os jovens do nosso país queriam muito salvar. Eles ficarão muito felizes! Falarei com o presidente Xi na sexta-feira. A relação continua muito forte!!!”, afirmou Trump pela Truth Social.
Bessent e Jamieson Greer, representantes comerciais dos EUA, lideraram as negociações em nome dos Estados Unidos, e He Lifeng, vice-primeiro-ministro para a política econômica, liderou as negociações pela China. Foi a quarta rodada de negociações sobre tarifas, comércio e outras questões. A reunião também antecipou o prazo final de 17 de setembro que o TikTok tinha para vender suas operações ou encerrar os serviços nos EUA.
“A estrutura prevê uma mudança para uma propriedade controlada pelos Estados Unidos”, disse Bessent a repórteres em Madri, ao final de dois dias de negociações, sem fornecer mais detalhes. Antes do encontro, Bessent afirmou que os chineses fizeram “pedidos muito agressivos” sobre o TikTok.
As conversas duraram mais de seis horas no domingo e cerca de cinco horas na segunda-feira. Bessent planeja se juntar a Trump para uma visita de Estado a Londres na quarta-feira.
O presidente já adiou a aplicação da lei três vezes e não se comprometeu com um acordo quando questionado por repórteres na noite de domingo. Trump também disse que falaria na sexta-feira com o líder chinês Xi Jinping.
Se concretizado, o acordo resolveria anos de disputas sobre o futuro do aplicativo de vídeos nos EUA. O TikTok enfrenta há anos acusações de que representa um risco à segurança nacional americana, pois, na visão dos EUA, Pequim poderia usar o aplicativo para obter dados confidenciais sobre os americanos ou para divulgar propaganda a fim de promover seus objetivos políticos.
O governo chinês ainda não confirmou as declarações de Trump.
O Congresso aprovou a legislação bipartidária no ano passado para proibir o TikTok no país, a menos que encontrasse um proprietário não chinês, devido a preocupações de que os laços da aplicação de mídia social com a China a tornassem uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.
As negociações deste domingo se concentraram principalmente no TikTok, disse Bessent — as discussões comerciais sobre a disputa tarifária serão o tema da próxima reunião com a China, que poderá ocorrer em cerca de um mês.
As negociações com a China têm sido mais complicadas. Trump impôs tarifas de 145% sobre as importações chinesas em abril, essencialmente interrompendo o comércio, antes de reduzir essa taxa para 30%. A China impôs tarifas de 10% sobre os produtos americanos.
Durante a presidência democrata de Joe Biden, o Congresso e a Casa Branca usaram motivos de segurança nacional para aprovar a proibição do TikTok nos Estados Unidos, a menos que sua empresa controladora, a ByteDance, vendesse sua participação majoritária.
Mas Trump continuou adiando o possível julgamento do aplicativo de mídia social. Ele prorrogou o prazo três vezes durante seu segundo mandato — com o próximo previsto para 17 de setembro.
O TikTok é um dos mais de 100 aplicativos desenvolvidos na última década pela ByteDance, uma empresa de tecnologia fundada em 2012 pelo empresário chinês Zhang Yiming e sediada no distrito de Haidian, no noroeste de Pequim.
Em 2016, a ByteDance lançou uma plataforma de vídeos curtos chamada Douyin na China e, em seguida, lançou uma versão internacional chamada TikTok. Em seguida, comprou o Musical.ly, uma plataforma de sincronização labial popular entre os adolescentes nos Estados Unidos e na Europa, e a combinou com o TikTok, mantendo o aplicativo separado do Douyin.
Logo depois, o aplicativo ganhou popularidade nos Estados Unidos e em muitos outros países, tornando-se a primeira plataforma chinesa a fazer incursões significativas no Ocidente. Ao contrário de outras plataformas de mídia social que se concentravam em cultivar conexões entre os usuários, o TikTok adaptava o conteúdo aos interesses das pessoas.
Os vídeos e clipes musicais muitas vezes engraçados postados pelos criadores de conteúdo deram ao TikTok a imagem de um canto alegre da internet, onde os usuários podiam encontrar diversão e uma sensação de autenticidade. Encontrar um público na plataforma ajudou a lançar a carreira de artistas musicais como Lil Nas X.
O TikTok ganhou mais força durante os lockdowns da pandemia da covid-19, quando danças curtas que se tornaram virais passaram a ser um dos principais conteúdos do aplicativo. Para competir melhor, o Instagram e o YouTube acabaram lançando suas próprias ferramentas para a criação de vídeos curtos, conhecidas respectivamente como Reels e Shorts. A essa altura, o TikTok já era um sucesso comprovado.
Os desafios vieram junto com o sucesso do TikTok. Autoridades americanas expressaram preocupações sobre as origens e a propriedade da empresa, apontando para leis na China que exigem que as empresas chinesas entreguem os dados solicitados pelo governo. Outra preocupação foi o algoritmo proprietário que determina o que os usuários veem no aplicativo./COM AP E NYT