10/12/2019 às 11h09min - Atualizada em 10/12/2019 às 11h09min

Lava Jato apura repasses suspeitos a grupo que tem filho de Lula como sócio.

Alan Marques/Folhapress

A Polícia Federal deflagrou na manhã de hoje uma nova fase da Operação Lava Jato, batizada de Mapa da Mina. Segundo o MPF-PR (Ministério Público Federal do Paraná), o objetivo é aprofundar investigações sobre repasses suspeitos de mais de R$ 132 milhões realizados pelo grupo Oi/Telemar para empresas do grupo Gamecorp/Gol, que tem entre seus controladores Fabio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


Trata-se de um desdobramento da 24ª fase da Lava Jato, quando Lula foi alvo de mandado de condução coercitiva, em março de 2016. Segundo o MPF, os pagamentos foram realizados "sem justificativa econômica plausível" entre 2004 e 2016, período que abrange os dois mandatos de Lula na Presidência (2003-2010), enquanto o grupo Oi/Telemar teria sido beneficiado por atos do governo federal.

De acordo com a Procuradoria, paralelamente aos repasses para o grupo Gamecorp/Gol, o grupo Oi/Telemar foi beneficiado pelo governo federal com "diversas decisões políticas e administrativas no setor de telecomunicações".
O órgão cita como exemplo o decreto 6.654/2008, assinado pelo então presidente Lula, que permitiu a operação de aquisição da Brasil Telecom pelo grupo Oi/Telemar. Mensagens apreendidas no curso das investigações também denotam que o grupo Oi/Telemar foi beneficiado pela nomeação de conselheiro da Anatel.
Além de Lulinha, são sócios do grupo Gamecorp/Gol Kalil Bittar, Fernando Bittar e Jonas Suassuna. O UOL fez contato com todos os citados (posicionamento abaixo).
 
Sítio de Atibaia.
 
Fernando Bittar e Jonas Suassuna são os proprietários oficiais do sítio de Atibaia (SP), pivô de um processo da Lava Jato em que Lula foi condenado em segunda instância pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em nota enviada à imprensa, o MPF afirma que "evidências apontam que parte dos recursos foi utilizada para a aquisição do sítio de Atibaia no interesse do ex-presidente Lula". Não há, no entanto, nenhuma informação que explique quais seriam as evidências encontradas. Ainda de acordo com o MPF, provas colhidas, como contratos e notas fiscais, além de dados extraídos a partir da quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, indicam que as empresas do grupo Oi/Telemar investiram e contrataram o grupo Gamecorp/Gol sem a cotação de preços com outros fornecedores, fizeram pagamentos acima dos valores nos contratos e praticados no mercado e realizaram pagamentos por serviços não executados.

 

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