12/04/2020 às 13h49min - Atualizada em 12/04/2020 às 13h49min

Em reunião reservada, Alcolumbre diz que o governo Bolsonaro 'acabou'

Para o senador é preciso saber se a gestão Bolsonaro 'chega a 2022'

Presidentes das casas estariam tendo reuniões sobre o governo federal FOTO: LUIS MACEDO/AG. CÂMARA

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tem coordenado uma série de reuniões políticas para discutir a atuação e o andar do governo federal, em especial a figura do presidente Jair Bolsonaro diante da pandemia do novo coronavírus. As diversas conversas contaram com a cúpula do senado, ministros de tribunais e líderes partidários. Conforme relato de interlocutores, apesar do protagonismo de Maia, coube ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), tomar um tom mais agressivo. Em uma dessas reuniões, na residência oficial de Maia, ele chegou a dizer que "o governo acabou". "A diferença é saber se ele chega a 2022", disse o senador.

Por ora não há movimentos concretos para o andamento de um processo de impeachment contra o presidente - a popularidade de presidente ainda está na casa dos 30%, embora 51% dos brasileiros, conforme recente pesquisa Datafolha, acreditam que Bolsonaro mais atrapalha que ajuda no enfrentamento à Covid-19. Ainda assim, a avaliação da cúpula do Congresso e de parlamentares influentes é a de que o governo terá de recolher escombros nos próximos anos, sem perspectiva concreta de tocar reformas estruturantes ou projetos de segurança pública, duas das principais vitrines de Jair Bolsonaro. Para um futuro governo, congressistas começaram a discutir, sob reserva, a hipótese de semipresidencialismo.

 

Esses mesmos políticos avaliam que os ministros Sergio Moro (Justiça e Segurança Pública) e Paulo Guedes (Economia) têm consciência de que boa parte dos projetos deles - reformas, fortalecimento de fronteiras ou de combate ao crime organizado - praticamente foi enterrada, já que qualquer recurso no pós-crise precisará ser usado para reerguer a economia mais básica.

Em uma dessas reuniões, Davi Alcolumbre ouviu que deveria caber ao Senado - e não eventualmente ao Supremo Tribunal Federal (STF) - enterrar um possível decreto de Bolsonaro que acabasse com o isolamento e o distanciamento social. Não houve tempo. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, proibiu na semana passada que o presidente derrubasse decretos de governadores e prefeitos que determinam o isolamento social.

Por meio de sua assessoria, Davi Alcolumbre negou que tenha feito a avaliação de que o governo Bolsonaro chegou ao fim. O relato, no entanto, foi confirmado a VEJA por outros integrantes da reunião. "O presidente do Senado afirma que está focado em garantir a votação de medidas que possam mitigar as perdas decorrentes da pandemia de Covid- 19 e preocupado com a ameaça à vida de milhares de brasileiros", disse, em nota, a assessoria da Presidência do Senado.







fonte/gazetaweb.com.br


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