Em participação no podcast White & Jordan, transmitido pela rádio britânica Talksport, John Textor, dono da SAF do Botafogo, ironizou o sistema do futebol francês. O empresário norte-americano presidia o Lyon até 30 de junho, e o clube quase foi rebaixado administrativamente para a segunda divisão após decisão judicial. Segundo Textor, "ele próprio foi o problema" das reuniões com a Direção Nacional de Controle de Gestão (DNCG).
— Como um clube como o Lyon pode ser rebaixado por razões de viabilidade? E na mesma semana, passamos com sucesso na avaliação de viabilidade da Uefa, que é muito completa e extremamente profissional — questionou Textor.
Na quinta-feira (9), o Lyon teve recurso aceito pela CNCG contra o rebaixamento. O órgão responsável por fiscalizar a saúde financeira dos clubes franceses reverteu a decisão inicial que previa o rebaixamento administrativo da equipe para a segunda divisão.
— Não é tudo preto no branco. Eles literalmente excluem as receitas com jogadores e transferências e dizem que isso não deve ser considerado. Nós geramos 100 milhões de dólares por ano com venda de jogadores. Mas, segundo o modelo de viabilidade deles, é preciso fazer projeções como se você não vendesse jogador nenhum — comentou.
De acordo com o jornal "L'Équipe", além da permanência na elite do futebol francês, o Lyon terá seu orçamento supervisionado, incluindo controle sobre a folha salarial e as despesas com transferências - uma medida para garantir maior responsabilidade financeira. Textor ainda afirmou que a DNCG teria ignorado valores significativos na análise.
— Estou tentando ser um agente de mudança. Acho que a governança na França não funciona. Estamos tentando implementar um modelo ao estilo Premier League, no qual cada clube tem uma voz. Isso nunca foi feito antes.
Principal responsável pelo futebol do Botafogo, John Textor está fora do Lyon desde o dia 30 de junho. O empresário norte-americano oficializou a saída da liderança da clube, em decisão motivada pelo rebaixamento administrativo do time - que foi revertido -, além da dificuldade de adaptação do executivo à política local, segundo o próprio admitiu.
No lugar, dois nomes foram anunciados: a empresária sul-coreana naturalizada americana Michele Kang na presidência, enquanto o alemão Michael Gerlinger como CEO.
Agora presidido por Michele Kang, o Lyon não será rebaixado admnistrativamente após ter recurso aceito (Foto: Olivier Chassignole / AFP)
Michele Kang, bilionária do setor de tecnologia voltada à saúde, já havia adquirido o time feminino do Lyon em 2023. Agora, amplia sua atuação ao assumir também a equipe masculina e deve ter papel decisivo no processo de recuperação esportiva e institucional do clube. Michael Gerlinger, por sua vez, chegou à Eagle em março de 2024, após uma longa trajetória de 18 anos no Bayern de Munique. Ele ficará responsável pelas operações do dia a dia do Lyon.