Rússia lança ataque intenso à Ucrânia após Putin rejeitar proposta de trégua de Trump

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Os ataques aconteceram horas depois de um telefonema entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, após o qual Trump disse que estava "decepcionado" por Putin não estar pronto para acabar com a guerra contra a Ucrânia.

Uma mulher foi morta na Rússia após ataques de drones ucranianos, segundo autoridades.

O governador interino da região de Rostov, no sul da Rússia, disse que ela foi morta em um ataque a um vilarejo não muito longe da fronteira com a Ucrânia.

Os ataques aéreos da Rússia durante a noite bateram outro recorde, segundo a Força Aérea da Ucrânia, com 72 dos 550 drones penetrando as defesas aéreas — acima do recorde anterior de 537 lançados na noite do último sábado.

Os alertas de ataques aéreos soaram por mais de oito horas, à medida que várias ondas de ataques atingiam Kiev, o "principal alvo dos ataques", informou a Força Aérea no aplicativo de mensagens Telegram.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, condenou o que classificou como um dos ataques mais "demonstrativamente significativos e cínicos" da guerra, descrevendo uma "noite dura e sem dormir".

Observando que o ataque ocorreu logo após o telefonema entre Putin e Trump, Zelensky acrescentou em uma postagem no Telegram: "A Rússia mais uma vez demonstra que não pretende acabar com a guerra".

Ele pediu aos aliados internacionais — particularmente aos EUA — que aumentassem a pressão sobre Moscou e impusessem sanções mais severas.

Vídeos compartilhados nas redes sociais pelo serviço de emergência estatal da Ucrânia mostram bombeiros lutando para apagar incêndios em Kiev após o ataque em larga escala da Rússia durante a noite.

Pelo menos 23 pessoas ficaram feridas nos ataques a Kiev, de acordo com as autoridades ucranianas. A infraestrutura ferroviária foi danificada, enquanto escolas, prédios e carros foram incendiados em toda a capital. O ministro das Relações Exteriores da Polônia, Radosław Sikorski, disse que a embaixada polonesa também foi danificada.

Os ataques russos atingiram ainda as regiões de Sumy, Kharkiv e Chernihiv.

Os ataques desta sexta-feira foram os mais recentes em uma série de grandes ataques aéreos russos na Ucrânia que se intensificaram nas últimas semanas, à medida que as negociações de cessar-fogo estagnaram.

A guerra na Ucrânia está em andamento há mais de três anos, desde que a Rússia lançou sua invasão em grande escala em fevereiro de 2022.
 

Após sua conversa com Putin na quinta-feira (03/07), Trump disse que não havia sido feito "nenhum avanço" para acabar com o conflito.

"Estou muito decepcionado com a conversa que tive hoje com o presidente Putin, porque não acho que ele esteja pronto, e estou muito decepcionado", declarou o presidente americano.

"Só estou dizendo que não acho que ele esteja pensando em parar, e isso é uma pena."

O Kremlin reiterou que continuaria buscando eliminar "as causas fundamentais da guerra na Ucrânia". Putin tem tentado fazer a Ucrânia voltar à esfera de influência da Rússia, e disse na semana passada que "toda a Ucrânia é nossa".

Em resposta aos comentários de Trump nesta sexta-feira, o porta-voz de Putin, Dmitry Peskov, disse à BBC que, enquanto não for possível garantir os objetivos da Rússia por meios político-diplomáticos, "continuaremos nossa Operação Militar Especial" — termo usado pela Rússia para a invasão.

Enquanto isso, Zelensky disse que esperava conversar com Trump na quinta-feira sobre o fornecimento de armas dos EUA, após a decisão de Washington de suspender algumas remessas de armas essenciais para a Ucrânia, incluindo aquelas usadas para defesa aérea.

Kiev alertou que a medida impediria sua capacidade de defender a Ucrânia contra a escalada de ataques aéreos e os avanços russos nas linhas de frente de combate.

Em conversa com jornalistas, Trump disse que "estamos dando armas" e "não" interrompemos completamente o fluxo de armas. Ele culpou o ex-presidente Joe Biden por "esvaziar todo o nosso país fornecendo armas, e precisamos garantir que temos o suficiente para nós mesmos".

 

FONTE: BBC news