09/04/2022 às 09h30min - Atualizada em 09/04/2022 às 09h30min

Especialista alerta para importância da vacinação

Com a queda na cobertura de imunizantes do calendário básico de vacinação, diversas doenças graves já erradicadas podem voltar a circular

Médico infectologista do Pam Salgadinho, Reneé Oliveira.

Com a queda na cobertura vacinal no Brasil, principalmente nos últimos cinco anos, a população, especialmente as crianças, ficam vulneráveis a doenças graves e altamente infecciosas que já estavam erradicadas no País, como o sarampo e a poliomielite. Quando evoluem para quadros graves, essas doenças, preveníveis com vacinas, podem deixar sérias sequelas ou mesmo causar a morte. O médico infectologista Reneé Oliveira, que atua no PAM Salgadinho, alerta para os perigos a que estão expostas as pessoas não vacinadas.

No ano de 2021, Maceió atingiu 79,63% da cobertura da vacina tríplice viral, que protege contra o sarampo, rubéola e caxumba, que em anos anteriores costumava atingir 95% do público-alvo, meta preconizada pelo Ministério da Saúde para esse imunizante.

O especialista lembra que a queda na cobertura vacinal representa o perigo de infecção por doenças graves. Ele defende a importância de manter a caderneta de vacinação em dia como única estratégia de imunização e para garantir a saúde de todos.

Ascom SMS - Por que motivo a cobertura vacinal caiu?

Reneé Oliveira - Como a população não convive tão fortemente com certas doenças, como o sarampo e a poliomielite, acreditam que elas estejam erradicadas e não dão importância às vacinas. Dessa forma, caímos em uma situação de acomodação e mães, pais e responsáveis por crianças ou mesmo os adultos, não procuram fazer a cobertura vacinal adequada. Mas é preciso lembrar que a falta de vacina, seja por qual motivo for, faz as doenças voltarem.

Ascom SMS - Quais imunizantes vêm apresentando queda na cobertura nos últimos anos?

Reneé Oliveira - Dois dos principais imunizantes do Programa Nacional de Imunização (PNI), a tríplice viral e a VPO (poliomielite), vêm apresentando queda na cobertura nos últimos anos. A diminuição desses índices contribui para o surgimento de novos surtos das doenças, que são altamente contagiosas, pois a transmissão se dá de maneira muito fácil, por meio de secreções respiratórias e gotículas ao falar, tossir e espirrar, principalmente.

Foto: Ascom/SMS

Ascom SMS - Que complicações a não vacinação pode trazer?

Reneé Oliveira - No caso do sarampo, especificamente, a doença pode evoluir para complicações graves, que podem levar a criança a óbito. O que não faz o menor sentido, com todo o progresso que temos na medicina por meio das vacinas. As principais complicações são pneumonia ou inflamação no cérebro, que pode acometer, principalmente, crianças menores de 1 ano ou desnutridas.

São sequelas graves e muitas vezes irreversíveis, como é o caso da poliomielite, que pode causar a paralisia infantil. Por isso, é tão importante que crianças e adultos que não estejam com o ciclo vacinal completo se vacinem, não só contra essas duas doenças, mas para se proteger de diversas outras para as quais temos imunizantes no Sistema Único de Saúde (SUS).

Ascom SMS - Qual a importância de vacinar?

Reneé Oliveira - Nunca é demais lembrar que o Brasil já foi exemplo, há alguns anos, de cobertura vacinal. De 2016 pra cá, e também devido à pandemia da Covid019, essa cobertura caiu assustadoramente. Doenças que estavam erradicadas, que tínhamos o controle por meio de vacinas, estão voltando.

Por muito tempo, o Brasil ficou livre do sarampo, mas em 2018 novos surtos foram registrados e a transmissão permanece. Por isso, levar as crianças para se vacinarem nessa campanha contra o sarampo e também para atualizar o cartão de vacina com outras, que porventura não tenham tomado, é muito importante. Precisamos interromper essa cadeia de circulação do vírus. E para isso, é preciso vacinar.

Ascom SMS - Se vacinar é, então, a melhor maneira de fazer com que as doenças erradicadas não voltem?

Reneé Oliveira - Com certeza. A imunização é a única maneira de fazer essas doenças não voltarem. Precisamos melhorar nossos índices, precisamos chegar a patamares elevados de cobertura, de 90% ou mais para o sarampo, meningite, tétano, difteria, poliomielite, rubéola, que são doenças com um controle muito bom com vacinas. O problema é que não sabemos até quando, já que hoje esses índices caem cada vez mais.












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