31/01/2018 às 08h34min - Atualizada em 31/01/2018 às 08h34min

Dono do parmegiano João Ramos foi preso por suposta fraude fiscal

Mais de 60 homens participam das operações, que contam com o apoio da Polícia Militar, para dar cumprimento a oito mandados de prisões preventivas expedidos pela 17ª Vara Criminal da capital

- reporter mirim, assessoria
Polícia cumpre mandados de prisão contra suspeitos de fraudes fiscais FOTO: DIVULGAÇÃO/MPE
Uma grande força-tarefa foi às ruas, na manhã desta quarta-feira (31), para prender servidores públicos acusados de cobrar propina de empresários. Segundo o Ministério Público Estadual (MPE), os detidos recebiam quantias vultuosas para praticar fraudes fiscais, que ocorriam por meio da diminuição do valor a ser pago de impostos ao tesouro estadual. Oito pessoas foram presas em três operações simultâneas.

Mais de 60 homens participam das operações, que contam com o apoio da Polícia Militar, para dar cumprimento a oito mandados de prisões preventivas expedidos pela 17ª Vara Criminal da capital. Pela "Operação Nicotina", fase III, foram presos Edgar Sarmento Pereira Filho e João Antônio Pereira Ramos, ambos fiscais de renda. Este último é sócio dos restaurantes Parmegiano (em Maceió e Recife) e Sal e Brasa. 

Nesta investigação, o Gaesf descobriu um esquema criminoso envolvendo empresários do ramo do tabaco e fiscais de renda. Uma empresa que produz cigarros no Rio de Janeiro simulava o envio dos produtos para Alagoas como se fosse gozar do benefício fiscal oferecido pelo Estado, e que é devidamente regulamentado pelo Ministério da Fazenda. Isso evitava que ela pagasse os impostos à Sefaz carioca. No entanto, apesar das notas fiscais emitidas por Alagoas, a mercadoria jamais saiu do Rio. Ou seja, as notas fiscais por Alagoas tinham saída, sem o pagamento do valor devido de tributo. Isso significa dizer que o imposto nem era pago lá, nem aqui.

"De fevereiro de 2017 até agora, somente da "Operação Nicotina", o Gaesf já conseguiu recuperar cerca de R$ 41 milhões", informou o promotor de justiça Cyro Blatter, coordenador do Grupo.

Operação Equis Viris

Na primeira fase da "Operação Equis Viris" foram presos mais dois fiscais de renda. José Vasconcellos Santos e Luiz Marcelo Duarte Maia são acusados de cobrar propina de uma empresa, cujo nome está mantido sob sigilo para não atrapalhar o andamento das investigações. 

Ambos estão afastados judicialmente desde a deflagração da "Operação Polhastro", que investigou as fraudes ocorridas nas 42 empresas ligadas a Grife do Frango. José Vasconcellos Santos receberia propina do dono da empresa, enquanto Luiz Marcelo tentou atrapalhar as investigações. 

O nome desta operação, "Equis Viris", é uma palavra em latim que, na língua portuguesa, significa "com unhas e dentes". O termo faz referência à voracidade com que os agentes públicos exigiam dinheiro em troca de facilidades tributárias.





Operação Rilascio

A terceira operação, "Rilascio", também prendeu outros dois fiscais de renda: Alberto Lopes Balbino da Silva e Augusto Alves Nicácio Filho. Ainda foram presos Emanuel Raimundo dos Santos, mais conhecido como "Mané Queixinho", funcionário aposentado da Sefaz, e o sargento PM da reserva Evaldo Bezerra Barbosa. Todos são acusados de fraudes fiscais, recebimento de propinas e lavagem de bens, dentre outros crimes. 

"Rilascio" é uma palavra italiana que significa "libertação". O sentido do nome faz relação à libertação dos empresários que não pagarão mais propina aos fiscais. 

Emanuel Raimundo e Evaldo Bezerra eram as pessoas que recebiam os cheques e depósitos bancários relativos as propinas, promovendo lavagem de bens em conjunto com os fiscais. Eles ficavam com aproximadamente 8% dos valores, devolvendo o restante para os fiscais de renda. 

Mais informações sobre as três operações serão repassadas durante coletiva a ser realizada às 14h deste quarta-feira, no auditório do prédio-sede do MPE/AL.

As ações são comandadas pelo Grupo de Atuação Especial em Sonegação Fiscal e aos Crimes Contra a Ordem Tributária, Econômica e Conexos (Gaesf), composto pelo Ministério Público Estadual de Alagoas (MPE/AL), Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e Polícia Civil (PC/AL).

 

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