24/02/2021 às 09h45min - Atualizada em 24/02/2021 às 09h45min

Após decisão de afastamento, deputada Flordelis é internada no Rio

Por Redação com Extra
Floderlis e Pastor Anderson - Foto: Redes sociais
Foi internada em um hospital em Niteroi, a deputada federal Flordelis dos Santos de Souza (PSD), acusada de ser mandante do assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo. A internação de Floderlis ocorreu horas após a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de afastar a deputada do cargo. A internação da deputada foi informada pela assessoria de imprensa da pastora.

Na tarde da terça-feira, a decisão da Justiça do Rio de janeiro foi unanime, para que ela fique afastada de qualquer função pública até que ocorra o julgamento criminal pela morte do pastor Anderson do Carmo.

 

A decisão dos desembargadores será submetida ao plenário da Câmara dos Deputados para que os parlamentares decidam se mantém o afastamento. O relator do processo na 2ª Câmara Criminal, desembargador Celso Ferreira Filho, determinou que a decisão seja encaminhada à Casa em 24 horas. Além do relator, votaram a favor do afastamento os desembargadores Antônio José Ferreira Carvalho e Kátia Jangutta.

'Situação que causaram perplexidade', diz desembargador
Durante a sessão dessa terça-feira, na qual foi votado o afastamento de Flordelis do cargo, o desembargador Celso Filho afirmou há situações concretas que demonstram atos de Flordelis para atrapalhar a “busca pela verdade” no processo.

- (Nesse processo) Há situações que me causaram perplexidade. São 50 anos que convivo nessa casa de conflitos e há muito tempo não vejo uma situação tão complexa, estranha e que causa tanta surpresa. Lidamos com homicídio, improbidade administrativa, vários desvios, mas nesse processo há uma gama de circunstâncias estranhas, sobre as quais não vou tecer comentários - afirmou Celso Ferreira Filho ao iniciar seu voto.

A procuradora de Justiça Maria Christina Pasquinelli Bacha de Almeida deu parecer a favor do afastamento de Flordelis. Durante sua sustentação oral na sessão desta terça-feira, a procuradora afirmou que Flordelis usa o cargo para intimidar e para "cooptar benesses para sua pessoa e seu clã criminoso". O advogado Ângelo Máximo, que representa a família do pastor, também defendeu o afastamento, sob alegação de que Flordelis atrapalhou as investigações do caso, além de fazer menção aos nomes de testemunhas em redes sociais.

- Fica claro o uso do cargo, o uso da maquina, da função pública para se esquivar da responsabilidade de ser mandante do crime - afirmou Ângelo Máximo durante sua sustentação oral.

O pedido de afastamento foi feito pelo promotor Carlos Gustavo Coelho de Andrade, que recorreu ao Tribunal de Justiça após a juiza Nearis dos Santos Carvalho Arce, da 3ª Vara Criminal de Niterói, ter negado seu pedido para afastar Flordelis de suas funções. A solicitação foi feita pelo promotor no processo criminal respondido pela deputada. Na ação, já foram ouvidas todas as testemunhas de defesa e acusação, além dos réus. O processo está em fase de alegações finais, na qual Ministério Público, assistente de acusação e defesa dos réus fazem suas considerações finais.

Após a manifestação de todos em alegações finais, a juíza Nearis dos Santos Carvalho Arce vai decidir se Flordelis e os outros acusados vão a júri popular.

 

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